17 - Oferta (Mordomia Cristã)

No começo aquele que é a Palavra já existia. Ele estava com Deus e era Deus. Desde o princípio, a Palavra estava com Deus. Por meio da Palavra, Deus fez todas as coisas, e nada do que existe foi feito sem ela. A Palavra era a fonte da vida, e essa vida trouxe a luz para todas as pessoas.

(Evangelho de João 1.1-4)

"Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém pode chegar até o Pai a não ser por mim."

 

(Jesus Cristo em João 14.6)

Palavra e vida.

Palavra é Vida.

17 : Mordomia cristã

17.1. Introdução

“Mordomias”: vantagens fora da folha de pagamento.

“Mordomia Cristã”: administração da vida conforme a orientação do Deus Eterno.

17.2. O que é Mordomia Cristã

Mordomo é uma espécie de administrador de uma casa, com características de muito bom relacionamento com seu patrão. Exemplo: Gn 39.1-6a — José foi levado para o Egito, onde os ismaelitas o venderam a um egípcio chamado Potifar, um oficial que era o capital da guarda do palácio. O Deus Eterno estava com José. Ele morava na casa de seu dono e ia muito bem em tudo. O dono de José viu que o Deus Eterno estava com ele e o abençoava em tudo que fazia. Assim José ganhou a simpatia de seu dono, que o pôs como seu ajudante particular. Potifar de a José a responsabilidade de cuidar da sua casa e tomar conta de tudo o que era seu. Dali em diante, por causa de José, o Eterno abençoou o lar do egípcio e também tudo que ele tinha em casa e no campo. Potifar entregou nas mãos de José tudo oque tinha e não se preocupava com nada, a não ser com a comida que comia.

O bom mordomo procede com fidelidade em todos os detalhes. Exemplo: Gn 39.6b-9 — José era um belo tipo de homem e simpático. Algum tempo depois, a mulher do seu dono começou a cobiçar José. Um dia ela disse: — Venha, vamos para a cama. Ele recusou, dizendo assim: — Escute, o meu dono não precisa se preocupar com nada nesta casa, pois eu estou aqui. Ele me pôs como responsável por tudo o que tem. Nesta casa eu mando tanto quanto ele. Aqui eu posso ter tudo o que eu quiser, menos a senhora, pois é mulher dele. Sendo assim, como poderia eu fazer uma coisa tão imoral e pecar contra Deus?

Deus é o patrão e as pessoas são os mordomos.

Tudo é de Deus: Gn 1.1 — No começo Deus criou o céu e a terra.

Sl 24.1 - Ao Deus Eterno pertence o mundo e tudo oque nele existe; a terra e todos os que nela vivem.

Ag 2.8 — Toda a prata e todo o ouro do mundo são meus.

Deus criou e cria o ser humano, dando-lhe a tarefa de administrar o mundo com tudo o que nele está: Gn 1.26-28 — Aí ele disse: — “Agora vamos fazer os seres humanos, que serão como nós, que se pare-cerão conosco. Eles terão poder sobre os peixes, sobre as aves, sobre os animais domésticos e selvagens e sobre os animais que se arrastam pelo chão”. Assim Deus criou os seres humanos; ele os criou parecidos com Deus. Ele os criou homem e mulher e os abençoou, dizendo: — “Tenham muitos e muitos filhos; espalhem-se por toda a terra e a dominem. E tenham poder sobre os peixes do mar, sobre as aves que voam no ar e sobre os animais que se arrastam pelo chão”.

No sentido geral, cada pessoa no mundo é um mordomo (administrador), porque lida com coisas que não são suas, mas de Deus; lida com estas coisas apenas por algum tempo; depois precisa prestar contas a Deus sobre sua administração, e estas coisas passam a ser administradas por outras pessoas.

Quando uma pessoa vive no mundo e lida com as coisas (sua vida, seus bens imóveis e móveis, seu dinheiro, seu tempo, seus dons), e com tudo, enfim, que Deus coloca à sua disposição no mundo — do jeito que bem lhe agrada, sem perguntar o que Deus tem a orientar quanto à sua administração, então dizemos que tal pessoa pratica uma mordomia não cristã.

Quando, por outro lado, uma pessoa valoriza o amor que Deus lhe dedica por meio de Jesus Cristo; quando pelo poder do Espírito Santo compreende que Deus tem toda a razão de mandá-la ao inferno para sempre — porque não cumpre 100% a sua lei — “Os que confiam na sua obediência à lei estão debaixo da maldição de Deus. Pois as Escrituras Sagradas dizem: Todos os que não obedecem sempre a tudo que está escrito no Livro da Lei estão debaixo da maldição de Deus!” (Gl 3.10); quando pelo poder do mesmo Espírito Santo, compreende que Deus quer evitar essa matança; quando compreende que Deus lhe oferece vida ao invés de morte, (Ez 33.11: “... juro pela minha vida que eu, o Senhor Eterno, não me alegro com a morte de um pecador. Eu gostaria que ele parasse de fazer o mal e vivesse”) por meio daquilo que Jesus fez (morte na cruz) e agora lhe oferece (perdão dos pecados); quando em tal pessoa é despertado o amor a Deus e ao semelhante, então esta pessoa vai querer saber o que é que Deus tem a dizer em sua Palavra (Bíblia) a respeito da maneira pela qual convém administrar tudo aqui no mundo. Quando isto acontece, e a pessoa passa a orientar todo o seu pensar, falar e fazer em concordância cada vez maior com a Palavra de Deus, então dizemos que tal pessoa pratica uma Mordomia Cristã.

A mordomia cristã compreende, portanto, todos os detalhes da vida da pessoa cristã no mundo: a sua vida de santificação; a sua resposta de amor a Deus e ao semelhante, motivado pelo amor que Deus lhe dedicou primeiro; a sua luta de cada dia para evitar o pecado e agradar a Deus por meio daquilo que pensa, fala e faz.

Para fins de estudo, pode-se fazer muitas divisões quanto aos mais variados assuntos que fazem parte da vida do cristão em relação a Deus, a si mesmo, à sua família, congregação e sociedade em que vive. Outras vezes se faz uma divisão em três grandes partes: mordomia do tempo, dos dons e dos bens; as possibilidades são muitas, mas a finalidade é uma só: levar as pessoas cristãs a viverem do modo sempre mais agradável e útil a Deus, para a honra e glória do Senhor e o bem de muitas pessoas (já aqui neste mundo e na eternidade).

17.3. A Mordomia Cristã da Oferta

A oferta para o reino de Deus num sentido amplo compreende muitas coisas:

— a oferta nos pratos durante o culto — ou na escola dominical das crianças, nos departamentos, etc;

— a oferta nos envelopes mensais; — as ofertas para fins “especiais” (construção, etc);

— ofertas em mantimento ou roupas para socorrer pessoas necessitadas; — ofertas em tempo e serviço — de acordo com as capacidades que Deus dá a cada um (para fins de progresso da congregação local, da igreja a qual pertencemos e do reino de Deus em geral).

Quem pode ofertar? Só quem primeiro recebe algo de Deus (1Crônicas 29-14: “... tudo vem de ti, e nós somente devolvemos o que era teu.” — Davi

Quem recebe algo de Deus? Cada pessoa (Deus torna possível sua concepção, seu nascimento, sua sobrevivência, dá-lhe alimento, abrigo ...).

Como funciona isto? Deus usa pessoas, para através delas conceder bênçãos às outras. Exemplos: pais providenciam que seus filhos sejam batizados, alimentados, vestidos, que tenham tratamento médico, etc; Deus usa o patrão para dar dinheiro ao pai de família e/ou mãe, para poderem atender as necessidades da família e de outros.

Quem tem o privilégio de ofertar? Cada pessoa — este é um privilégio que cada pessoa tem, desde a criancinha recém batizada até a pessoa mais idosa.

De onde vêm os recursos para a oferta no caso daquelas pessoas que não tem renda própria? Do mesmo lugar de onde vêm os recursos para alimento, roupa, etc. Deus cuida de cada pessoa. Cabe ao cristão estimular a cada pessoa a que agradeça a Deus por isso.

Quando apenas o chefe da família oferta ele:

— não está estimulando seus familiares a agradecer;

— não está educando seus familiares (especialmente filhos) a ofertar;

— normalmente, está perdendo uma grande oportunidade para reunir-se com a família e conversar sobre as finanças domésticas, as bênçãos de Deus e a distribuição de ofertas na família.

Quando ofertar? Em cada culto, depois de sermos instruídos na Palavra de Deus — através do sermão; quando sentimos alegria e gratidão pelo amor de Deus — mais uma vez lembrado nesta oportunidade.

De modo bem marcante, cada vez que recebemos nosso ordenado, ou que tivermos ganhos (nossas rendas) somos lembrados de que tudo isto vem de Deus. Ocorrendo isto, em geral, mensalmente, também a oferta do envelope é mensal.

Quanto ofertar?

Sempre vai ser um processo de decisão pessoal (movimentado pelo amor de Deus), levando em conta basicamente os seguintes pontos:

— o quanto eu considero importante poder passar a eternidade no céu na companhia de Deus, ao invés de no inferno, na companhia de Satanás;

— o quanto eu reconheço que Deus já está me abençoando cada dia aqui nesta vida;

— o quanto Deus está dando para mim (meus ganhos, saúde, capacidade, bom tempo, igreja, amigos, família, etc);

— quais são meus compromissos indispensáveis (impostos, alimentos, médicos, etc);

— quais são as necessidades de minha congregação, igreja e reino de Deus em geral (despesas regulares mensais, ocasionais, etc).

Depois de considerar estes e outros pontos, pede-se que Deus dê coração agradecido, mente aberta, confiança nas promessas de Deus e vontade renovada de servir.

Decide-se, então, a porcentagem que se quer dar mensalmente no envelope — e cumpre-se alegremente a decisão tomada.

Nota: a prática de escolher uma porcentagem dos ganhos para oferta, além de ser a orientação bíblica básica, faz também com que nossa oferta acompanhe automaticamente a variação de nossos ganhos ao longo do ano.

Que porcentagem ofertar?

Às vezes uma pessoa viveria muito bem com 12% de sua renda, e poderia ofertar 88% para as atividades do reino de Deus; outras vezes fica difícil uma pessoa viver com 88% de sua renda e ofertar 12% para o serviço do reino de Deus. A Bíblia fala de alguns casos:

— Abraão — Gn 14.20 — sem lei, voluntariamente ofertou 10%;

— Jacó — Gn 28.22 — sem lei, voluntariamente, comprometeu-se em ofertar 10% de suas rendas futuras;

— O povo de Israel — por lei ofertava 10% de tudo, e mais outras ofertas, perfazendo mais ou menos 32%;

— A viúva pobre — Mc 12.41-44 — voluntariamente deu tudo o que tinha;

— aos cristãos de Corinto foi orientado por ocasião da oferta a favor dos irmãos carentes da Judéia: “Que cada um dê conforme resolveu no coração, não com tristeza, nem por obrigação, porque Deus ama quem dá com alegria.” (2 Co 9.7).

17.4. Conclusão

Lembremos que quando Cristo nos libertou (pagando com seu santo e precioso sangue), ele nos libertou por inteiro — minha alma, meu corpo — tudo o que sou. Por isso, quando o aceito como meu Salvador, também o reconheço como meu Senhor e desejo estar à sua disposição como servo(a) — eu, com tudo que “tenho” (que recebo para administrar neste mundo). Isto representa um privilégio e uma responsabilidade muito grandes!

Somos livres do “senhor mal intencionado” — Satanás, não para escravizar-nos a nós próprios (idéias e ambições), mas para servimos ao nosso novo senhor, Jesus Cristo — “Vocês, irmãos, foram chamados para serem livres. Mas não deixem que essa liberdade se torne uma desculpa para se deixarem dominar pelos desejos humanos. (Gl 5.13).

Para reflexão: Ml 3.10-12 — Eu, o Deus Todo-poderoso, ordeno que tragam todos os seus dízimos aos depósitos do Templo, para que haja bastante comida na minha casa. Ponham-me a prova e verão que eu abrirei as janelas do céu e farei cair sobre vocês as mais ricas bênçãos. Não deixarei que os gafanhotos destruam as suas plantações, e as suas parreiras darão muitas uvas. Todos os povos dirão que vocês são felizes, pois vocês vivem numa terra boa e rica. Eu, o Deus Todo-poderoso, falei.

 

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Jarbas Hoffimann

 

Teólogo e Pastor da

Igreja Evangélica Luterana do Brasil

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